segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como a Punição Física pode Prejudicar o Cerebro Infantil

O texto abaixo foi publicado originalmente em inglês no site Psychology Today.

A palmada destrói o desenvolvimento cognitivo nas crianças  diminuindo o QI é o que mostra um estudo Canadense.

Esta análise, conduzida pelo Hospital Infantil de Ontário Oriental, em Ottawa, mostra novas evidências de que a punição corporal provoca comprometimento cognitivo e dificuldades no desenvolvimento a longo prazo.

Debates sobre castigos físicos normalmente giram em torno da ética de usar a violência para impor a disciplina. Este inquérito sintetiza 20 anos de pesquisas publicadas sobre o tema e pretende "mudar o debate ético sobre a punição corporal na esfera médica", diz Joan Durant, professor da Universidade de Manitoba e um dos autores do estudo.

De acordo com o relatório, a palmada pode reduzir a massa cinzenta do cérebro e o tecido conjuntivo entre as células cerebrais. A matéria cinzenta é uma parte integrante do sistema nervoso central e influência nos testes de inteligência e na capacidade de aprendizagem. Isso inclui as áreas do cérebro envolvidas na percepção sensorial, fala, controle muscular, emoções e memória. A pesquisa adicional suporta a hipótese de que crianças e adolescentes submetidos a abuso infantil e negligência têm menos massa cinzenta do que as crianças que não tenham sido mau-tratadas

Os médicos profissionais que investigam os efeitos da palmada a longo prazo têm, consistentemente encontrado, uma ligação entre o castigo corporal e o aumento da agressividade em crianças. Tal como relaciona essa disciplina "educativa" aos níveis emocionais descontroláveis e a dificuldade no desempenho acadêmico. Eles preveem a vulnerabilidade à depressão, geralmente em meninas e a tendência anti-social  frequentemente manifestada em meninos. 

Meninos apanham mais que meninas.

O castigo físico são mais frequentes na primeira infância, em bebês ou crianças pequenas. Os pais de baixa renda e com menos educação formal tendem a bater mais vezes. Os conservadores religiosos tendem a favorecer a punição corporal, embora não seja sempre o caso. O rei James citado em um versículo da Bíblia: Provérbios 13:24, expressa seu sentimento a respeito "poupará a vara e estragará a criança", em linguagem antiquada: Aquele que poupa a vara "odeia" a seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga.

Quando se usa a punição física como forma de educar, obtém-se resultados rápidos, mas não se reduz o comportamento indesejado. Além dos efeitos fisiológicos prejudiciais, também causam danos emocionais duradouros que inibem o processo de aprendizagem. O castigo físico enfraquece a confiança entre pais e filhos e gera hostilidade contra figuras de autoridade. Apanhar pode posteriormente impedir as relações sociais na sala de aula, onde há um diferencial de poder entre o professor e a criança

É de se admirar que quando batemos enviamos um sinal a criança que a aprendizagem ocorre através da violência? Esta forma de disciplina pretende ser educativa, mas é na verdade a forma que os pais encontraram para desabafar sua própria raiva. Bater envolve a falta de informação do mal que se causa com o intuito de educar. As figuras de autoridade cultural, como pais e professores, podem ser interpretados como fornecedores de sadismo ao invés de conhecimento. Os castigos corporais destroem a compaixão pelos outros,  a compaixão para si mesmo, e limita a capacidade mútua de ganhar discernimento/conhecimento.

Em 1979, a Suécia se tornou o primeiro país a proibir o castigo físico em crianças. Desde então, mais de 30 países já proibiram a punição corporal em casa e nas escolas. No entanto, continua a ser legal para um pai espancar seu filho nos Estados Unidos. Parte da dificuldade em mudar a atitude cultural é  que o castigo físico é um meio eficaz de disciplina e que muitos consideram proibir palmadas como limitar os direitos dos pais. Aqui, pressupõe-se que a criança seja uma propriedade dos adultos e que deva servir ao ego de seus pais.

Nos Estados Unidos, a punição corporal diminuiu desde os movimentos pelos direitos civis da década de 1960. A maioria dos pais que usavam castigos físicos, hoje expressam pesar por isso e desacreditam que houve melhora no comportamento da criança. Meios mais eficazes de disciplinar são: dar "Time outs", "escolhas e consequências" não violentas para o mau comportamento. Estes incluem consequências lógicas (se você não pegar seus brinquedos, eles não estarão disponíveis amanhã) e consequências naturais (se você não colocar o seu casaco, você ficará com frio).

Os pais que administram castigos corporais estão muitas vezes no seu limite. Em outras palavras, a causa desta forma violenta de "educação" esta muitas vezes escondida na história reprimida dos pais. Quando os adultos não entendem as ligações entre as suas experiências anteriores de lesão (punição corporal) eles tendem a repetir ativamente no presente, perpetuam um ciclo destrutivo e infligem o seu próprio sofrimento em seus filhos. A próxima geração continua a levar o dano que foi guardada na mente e no corpo do seu antepassado. Por outro lado, os pais também podem trabalhar para se tornarem conscientes de sua própria dor da infância e reconhecer como eles transmitem e perpetuam a violência batendo em seus filhos.

O ensino eficaz da disciplina sem punição física, pode ter o potencial de reduzir os níveis gerais de violência em nossa sociedade. Em outras palavras, o castigo corporal, do qual bater é uma forma relativamente menor, pode ter implicações sociais mais amplas. Alguns estudos sugerem uma ligação entre a punição física nas crianças e o comportamento envolvido em alguns atos criminosos.

A Academia Americana de Pediatria e a Associação Americana de Psicologia se opõem a punição física. Não se deve tocar em criança ou adolescente por qualquer motivo que seja. Eles aconselham a respeito de como os pais podem lidar melhor com um incidente de punição física no momento de arrependimento depois de ter ocorrido:

 
Os pais devem explicar com calma porque aconteceu a punição física, o comportamento específico que provocou e a raiva que sentiram. Eles também podem pedir desculpas a seu filho pela perda de controle. Isso geralmente ajuda a criança ou o jovem a compreender e aceitar a punição física e serve como modelo para a criança de como corrigir um erro.

O que queremos ensinar a nossos filhos? Apanhar ensina a criança que bater é uma resposta aceitável para a raiva. Mostrar a próxima geração como manejar sua raiva sem violência é crucial



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Dia dos Pais

Nesse domingo foi dia dos pais no Brasil. Como sou brasileira e adoro uma comemoração, de jeito nenhum deixaria de celebrar essa data tão importante. Por isso, comemoramos em grande estilo. Cheio de surpresas emocionantes e um café da manhã bem "gordo" com direito a panquecas, omeletes e waffles, no maior e melhor estilo americano!

Os "gifts" do papai, como sempre, foram feitos por mim e pelo bebê. Datas especiais merecem presentes especiais. Nada melhor do que coisinhas feitas a mão por quem amamos, né?


Primeiro elaborei o cartão. O material usado foi reciclado a partir de caixas de papelão, cortadas do tamanho de fotografia (10x15) e pintadas com tinta guache. As argolas, que dão a impressão de livro ao cartão, foram compradas em loja de artesanato. Para colar as fotos usei cola sem acido (usadas em scrapbook) pois não danificam a fotografia com o tempo e coloquei um "sticker" de "I Love Dad" para identificar a capa. Simples e fácil!

Papelão recortado



Raphael pintando com guache


Já secos e prontos para a arte final


Fotos coladas

Trabalho pronto

As fotos foram escolhidas pelo bebê



O vídeo foi feito pela mamãe aqui! Usei um programa no Windows 8 chamado "Movie Maker" e escolhi musicas do gosto do papai. Bom, acho que acertei em cheio! O papai chorou por 1 hora  (rs). Confesso que a ideia era causar só uma "emoçãozinha" mas tudo bem!




Procurei na internet algumas ideias. A principio eu queria algo como uma camiseta customizada com fotos do bebê, mas achei essa caneca super fofa! É possível usar até 15 fotos, eu optei por usar o máximo de espaço. A disposição das fotos é feita pelo cliente e tudo isso é feito online. Recebi o pacote pelo correio, 3 dias antes do dia dos pais. Preciso dizer se ele amou?


Essa é a caneca cheia de foto e que diz "O melhor pai do mundo"



Nosso café da manhã. O papai levou a xicara ao restaurante (rs)


Beijos e até o próximo post!

domingo, 28 de julho de 2013

Amamentação Pós Cirurgia Plástica

Dentro do universo materno existem alguns assuntos que geram polêmicas por serem delicados para a maioria das mulheres. A amamentação é um desses. Para mim, discuti-lo sempre foi muito difícil e, nas poucas vezes que falei a respeito, fui um pouco intransigente e parcial. Tenho uma opinião radical a respeito e, infelizmente, por isso acabo ferindo o brio de algumas mulheres. Principalmente as que não conseguiram, por algum motivo, amamentar seus filhos.

Entristece-me saber que, por escolha ou por falta de empoderamento, a mulher deixa de regalar ao seu filho o maior e melhor presente que ela poderia dar. Leite materno é alimento, é vida, é força, é inteligência, é vinculo. No entanto, esse texto não tem a finalidade de julgar ou magoar ninguém. Quero contar nele a minha experiência particular mostrando que qualquer mulher é capaz de amamentar quando se deseja muito e que, apesar de todos os percalços, eu consegui.

Minha história começa aos 15 anos quando seios grandes ainda não eram moda e os meus, infelizmente, tomaram proporções fora do padrão na época. Naquele tempo era quase impossível encontrar um sutiã que desse sustentação e que fosse decentemente usável (a maioria deles pareciam lindas lingeries da vovó). Lidar com isso, para mim, não foi fácil. Eu fui uma dessas adolescentes bem comuns que sobra timidez e falta autoestima. Sabe como é? O desfecho de tudo isso: uma plástica no seio aos 19 anos de idade.

Lembro como se fosse hoje! O médico cirurgião preocupado em me aconselhar e alertar sobre esse procedimento tão radical, sobre a possível impossibilidade de produzir leite e se, por um a caso houvesse produção, a exteriorização do leite poderia ficar comprometida pelos cortes que seriam feitos justamente nos ductos mamários. Eu, com toda minha arrogância juvenil, nem sequer pensei na possibilidade de esperar casar e ter filhos. Na verdade, a primeira coisa que eu pensei foi: existe leite artificial para quê?

Treze anos se passaram e, desde então, muita coisa mudou no meu modo de ver a vida. O amadurecimento me fez perceber que sou muito mais do que um corpo. Que padrões de beleza não se encaixam mais dentro do meu universo. Hoje, sou feliz porque sei que todos somos lindos em nossas diferenças e essa consciência somente o tempo me deu. Porém, a "merda" já tinha sido feita. Eu estava grávida, cheia de expectativas pessoais e um seio "mutilado".

A ansiedade tomou conta de mim durante boa parte da gravidez. Procurei por sites na internet, comprei livros, busquei informações a respeito de mulheres que conseguiram amamentar mesmo depois de uma cirurgia plástica e, infelizmente, o pouco que obtive sobre o assunto vieram de mulheres desestimuladas e cheias de dúvidas que, com o tempo, desistiram de suas tentativas oferecendo assim o leite artificial ou fazendo a complementação entre a amamentação.

Raphael nasceu de 32 semanas. Veio ao mundo de parto normal. Por complicações durante a gravidez não pude cogitar um parto domiciliar, por esse motivo, ele nasceu no hospital. Mesmo sendo prematuro, ele não precisou ser afastado de mim pois seu peso e estado físico eram compatíveis a um bebê a termo. Ele foi colocado no meu seio na mesma hora em que nasceu e nessa hora começaram as minhas dúvidas.

Ele mamava e dormia em um curto espaço de tempo. Eu não tinha certeza da minha produção de leite e muito menos se ele dormia por estar cansado ou alimentado. Raphael não chorava e suas eliminações fisiológicas, para mim, pareciam normais. Porém, minha felicidade durou menos de 48 horas, quando ele começou a apresentar a pele amarelada e ser diagnosticado com icterícia neonatal. A pediatra, lógico, culpou a amamentação ineficaz (pois quanto maior a quantidade que o bebê mama, maiores são suas eliminações fisiológicas e mais fácil a bilirrubina é expelida do corpinho).

Por consequência disso, eu tive alta hospitalar mas o Raphael não. Felizmente, nos permitiram ficar com ele por mais dois dias, não precisei deixá-lo no hospital e voltar para casa sozinha. E foram quatro estressantes dias de internação quando, finalmente, a pediatra nos deu alta hospitalar. Porém, com duas condições: a primeira que eu fizesse visitas diárias ao consultório da pediatra até que houvesse a melhora do quadro clínico e a segunda que eu levasse para casa um saco de mamadeiras com leite artificial (cortesia do hospital) e suplementasse as mamadas.

Fomos para casa e, tenho que confessar, os dias que se seguiram foram bem difíceis. Éramos eu, meu marido, um bebê recém-nascido e nossos instintos, completamente sozinhos. Também não posso negar que tivemos a melhor experiência de todas as nossas vidas. Essa ajuda mútua só fez crescer ainda mais a admiração, o amor e o carinho que sinto pelo meu marido. Eu não me canso de dizer o quanto ele é fundamental na minha vida.

E os meus dias seguiram assim, eu passava 22 horas do dia com o Raphael no peito e as outras 2 horas "ordenhando" com a máquina elétrica. Já não distinguia mais quando o bebê mamava ou quando usava o peito de chupeta. Na verdade essa situação não me incomodava, eu sabia que esse tempo de dedicação, de livre demanda, seria importante para a tão sonhada produção de leite. Quanto mais o bebê mama mais a mãe produz. É isso que diz a teoria e foi nessa verdade que eu me agarrei.

Bom, por um "milagre" ou por muita força de vontade (gosto da segunda opção) eu produzi leite e essa produção só aumentou. Tomei muito líquido, fiz muito repouso, me mantive a mais calma que pude, comi muita canjica (rs), fiz livre demanda e cama compartilhada e, acima de tudo, acreditei muito em mim e no meu filho. Parei de ordenhar com a máquina pois tirar 5 ml dos dois seios, em 1 hora de ordenha, estava tirando toda a fé que eu tinha em mim mesma. A partir daquele momento meu filho foi o meu referencial. Isso bastou para mim! Ele estava bem, feliz e engordando a olho nu.

Em 6 meses de amamentação EXCLUSIVA, eu tive vários outros problemas: pega incorreta, que foram sanados através de aulas com enfermeiras especializadas (verdadeiros anjos) no próprio hospital em que dei a luz e pomadas de lanolina, prescritas por elas. Rachaduras que persistiram durante 3 meses seguidos, consequência da pega incorreta. Duas mastites com febre de 39 graus cada uma onde tive que fazer uso de antibióticos em ambas. E, por fim, várias neuroses, essas me perseguiram por bastante tempo.

Hoje, depois de 2 anos e 7 meses de amamentação, escrevendo e lembrando dos momentos bons e dos dificeis que passamos, a única coisa que tenho a dizer é que somos verdadeiros vitoriosos.

E, sobre as mamadeiras que ganhei da pediatra fofinha: essas não me serviram de nada, as devolvi ao hospital na minha segunda aula de amamentação! :)





Raphael aos 6 meses de amamentação exclusiva :)
 
 


Beijos e até o próximo post

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mães unidas por um Brasil melhor


A decisão de vir para os EUA foi mútua. Nós queríamos estudar e nos aperfeiçoar profissionalmente para depois regressar ao Brasil e colocar em prática nossas experiências adquiridas aqui.

Tomar a decisão de ficar não foi difícil, infelizmente. Eu me lembro perfeitamente do choque cultural que tomamos logo no primeiro dia. A educação no trânsito, a limpeza das ruas, as casas sem grades nas janelas e sem portões, o policiamento contínuo e o transporte público foram os primeiros diferenciais. Sabíamos que o Brasil não era perfeito porém as diferenças eram gritantes e, na verdade, só percebemos isso quando nos deparamos com a nossa nova realidade. A pergunta que paira nessa hora é: De quem é a culpa de tanta falta de infraestrutura e impunidade no Brasil? Por que  o Brasil chegou a tais condições?

Vivo longe do Brasil há exatos 6 anos. Porém, durante todo esse tempo, me mantive informada sobre sua real situação através de jornais e de familiares. Venho acompanhando toda a malandragem política, o contínuo caos na saúde, educação e no transporte, a luta do povo para sobreviver aos aumentos de taxas abusivas e as temidas leis elaboradas e aprovadas por políticos ignorantes que não deveriam estar dirigindo tais cargos.

Infelizmente, o povo ainda não aprendeu que a maior voz é o voto. É no dia da votação que podemos e devemos mostrar nossa indignação. É muito importante saber sobre o passado do candidato, sobre a sua vida politica, suas reais intenções e, principalmente, acompanha-lo durante todo o mandato com o intuito de fiscalizar e cobrar o seu trabalho. Esses são os primeiros passos para uma mudança definitiva do Brasil. O povo brasileiro é famoso por não ter consciência política. Um povo que esquece facilmente as "maracutaias" de seus políticos e que, quase sempre, vende seus votos, seja por uma cesta básica no dia da eleição, seja por uma troca de favores ou uma bolsa família no futuro. O que importa é que todos saem "ganhando" sem pensar no futuro da cidade, estado ou país.

Mas, "o gigante acordou" é o que diz o brasileiro e eu acredito nisso! Acredito nessa mudança, acredito nessa voz que sai de um povo que se conteve diante de tanta corrupção, tanta roubalheira, tanta violência e que agora cansou. Nosso país tem sido "estuprado" a muito séculos. Entram e saem homens do poder, mudam-se as caras mas os caráteres continuam os mesmos. E para o povo sobram as migalhas desde as filas intermináveis em hospitais e postos de saúde, passando pela ausência médica e equipes multidisciplinares em locais de difícil acesso até as famosas "lutas" por vagas em creches e escolas do Estado. Faltam leis que protejam todos os cidadãos e que sejam descentemente elaboradas e aprovadas por um estado laico. Faltam aos nossos governantes a capacidade de não mais subestimarem o nosso povo brasileiro.

"Não seremos mais feitos de palhaço" é a real mensagem da manifestação!
 
Juntos nós podemos muito. Ninguém pode mais do que um povo unido por um só motivo, ninguém pode mais do que um povo consciente de seus direitos e deveres e, definitivamente, ninguém pode mais do que um povo que descobriu que pode gritar e ser ouvido!

Parabéns Brasil! Parabéns meu povo por ter saído as ruas para mostrar tamanha insatisfação.
Aplaudo de pé essa conquista!
 
 

 
 
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
 
 
 
 

domingo, 9 de junho de 2013

Disciplina Positiva

Uma coisa que eu aprendi, nesses dois anos e meio como mãe, é que quando o assunto são filhos, "faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço" não funciona. O ambiente familiar é a primeira escola dos nossos filhos e os exemplos obtidos em casa serão referência para as atitudes deles hoje e no futuro.

É no cotidiano da própria criança, através de observar as pessoas que estão a sua volta e no modo como as tratam, que ela conduzira seu próprio comportamento. As crianças se espelham nos relacionamentos que seus pais mantem entre si e com o mundo para conduzir suas próprias atitudes. O aprendizado na infância é naturalmente inserido na vida da criança. Se ela vive em um ambiente carinhoso e compreensivo, provavelmente se mostrará da mesma forma ao mundo. Consequentemente, se o universo dessa criança for o inverso disso -violento e agressivo- ela pode não conseguir demonstrar outro tipo de atitude que não seja a violência, pois infelizmente desconhece outro tipo de tratamento.

A violência física sempre foi vista como a melhor forma de correção. Passado de geração a geração como um ciclo perverso, a punição através de palmadas era vista como a única forma de ensinar e educar os filhos. Hoje já não resta mais dúvidas de que esse tipo de correção é arcaico, completamente errado e o único sentimento que provoca na criança que está sendo punida é dor, medo e humilhação. Muitas vezes quem apanha não entende a razão da agressão.


 
"A violência física é toda ação que cause dor física numa criança, desde um simples tapa até o espancamento fatal" (Unicef)

A violência psicológica também é uma forma de agressão. Gritar, xingar, humilhar e depreciar são tratamentos abusivos que afetam essa vida em formação tanto quanto a agressão física. Se realizados com muita frequência, deixam marcas que serão levadas para toda a vida, afetando assim a  autoestima. Crianças que são psicologicamente abusadas dificilmente se sentem amadas, protegidas, acolhidas, valorizadas e aceitas.
 

Hoje, por consequência de toda a informação sobre o mal que a violência física e psicológica provocam, alguns pais que foram submetidos a elas na infância se sentem confortáveis para quebrar esse ciclo vicioso, colocando em prática a Disciplina Positiva. Porém, infelizmente, essa não é a realidade para a grande maioria de nossas crianças e jovens. Estudos comprovam que pais abusadores hoje, foram jovens provenientes de lares abusivos no passado. Esses mesmos estudos comprovam que crianças que são abusadas psicologicamente e fisicamente por seus pais ou cuidadores, se tornarão abusadores ou se submeterão a relacionamentos com parceiros abusivos.

Entenda  como funciona a Disciplina Positiva e como ela pode ser adaptada em um lar, quebrando assim esse ciclo de violência doméstica:
 


1- Dedique momentos diários a criança seja para brincar, estudar ou conversar. Esses momentos de interação são muito importantes para que a criança se sinta segura, acolhida, aceita. Diminui a ansiedade e ajuda a manter e construir o vínculo de amizade e respeito entre a criança e os pais.

2- Mantenha uma rotina positiva. Não de ordens ou ameace "vá lavar as mãos, agora!", "recolha seus brinquedos ou não deixarei mais você brincar!", "Venha jantar agora ou ficará sem comer!". Ao invés disso tente dizer: "acho que suas mãos estão sujas o que acha que deveria fazer antes do jantar?", "temos muitos brinquedos espalhados e já é hora do seu banho, que tal arrumarmos todos eles?". Respeite a capacidade de raciocínio da criança, deixe que ela tome a decisão de arrumar o seus próprios brinquedos ou de lavar as suas próprias mãos. Com o tempo essa rotina é fixada por ela que aprenderá que antes do jantar se lavam as mãos ou que antes de tomar banho recolhem-se os brinquedos.

3- Seja exemplo: obrigado, desculpa, sinto muito, com licença e por favor. Quando palavras de respeito saem da boca dos pais, é impossível não serem absorvidas pela criança. A criança reflete o que vive. Se eu quero ter um filho carinhoso e empático eu devo, primeiro, transmitir isso a ele.

4- Abrace e beije. Muitas vezes, naquele momento estressante de "birra", a única coisa que a criança precisa é de um abraço e de uma palavra de carinho vinda de seus pais.

5- Use palavras positivas. A criança se torna o que os pais dizem dela. Se a criança escuta de seus pais frases do tipo: "você é burro", "você não faz nada direito", "você é estupido", "essa criança é impossível", "essa criança é um terror"...Provavelmente, a criança terá essa visão dela mesma. Uma pessoa burra que não faz nada direito e que é um problema para os pais.

6- Oriente comportamentos desejados. A criança tem um desejo grande de descoberta e ser impedida de realizar tal desejo, por ser muito pequena, pode ser frustrante para ela. Então ao invés de dizer: "Fulano, não mexa no controle da TV". Diga: "tenha cuidado ao mexer no controle pois pode quebrar e você pode vir a se machucar" e, assim, ensine o que é ter cuidado. Simplesmente esteja junto guiando e explicando que algumas tarefas podem ser realizadas mas, sempre com a presença dos pais, enquanto ela não for grande o suficiente para realiza-las sozinho. Mudar o foco para outro tipo de situação também é uma atitude muito positiva e que, normalmente, tem bons resultados. Ao invés de dizer: "não toque nisso". Pegue um outro objeto que possa interessar a criança e diga: "Olha! você pode brincar com essa outra coisa"

7- De importância ao sentimentos. Diga a ela que realmente reconhece e se importa quando a vê chateada, frustrada, nervosa e irritada. Não ignore esses sentimentos pois ninguém gosta de ser ignorado. Não rotule a criança dizendo que ela é birrenta ou chata, além de deixa-la nervosa, não resolverá o problema.

8- Aceite a criança como ela é. Não exija da criança mais do que ela pode oferecer. Expectativas dificultam e distanciam a relação entre pais e filhos.

"Acepta a los hijo de la maneira que aceptas a los àrboles, com gratitud porque son una bendición, pero no tengas expectativas ni deseos. Uno no espera que los àrboles cambien, los ama tal como son" - Isabel Allende.

9- Respeite as limitações. Crianças são limitadas emocionalmente e fisicamente. Não estão aptas a brincarem sozinha sem um direcionamento e não se educam "by herself". Por um tempo é necessário a ajuda dos pais para que a criança aprenda a controlar suas frustrações, saber o que é certo e errado e  com compreensão ser ensinada sobre as consequências dos seus atos. As limitações físicas seguem a criança até a fase pré-adolescente portanto, entenda e aja com naturalidade quando o suco ou o leite for derramado no chão sem querer pela criança. Explique a ela que coisas assim acontecem e que com o passar do tempo essas situações não serão tão frequentes. E, vocês juntos,  poderão limpar e transformar esses momentos em aprendizagem.

10- Seja firme mais amável. É dever dos pais dizer não. Porém, a maneira como ele é dito faz toda a diferença: "Eu te amo e a resposta é não!" ou "Estou dizendo não porque te amo e quero o melhor para você!" soa bem diferente de dizer:  "Eu já disse que Não, me obedeça pois sou sua mãe!"

11- Converse, converse e converse. Utilize a mesma altura da criança e não se canse de conversar nunca pois, eles entendem muito mais do que pensamos. A paciência, o amor e a conversa evitam castigos humilhantes e desnecessários e são o caminho da disciplina positiva.

Manter uma atitude positiva é estar em constante contato com o próprio filho, direcionando, educando, ensinando sem cansar.
 
Beijos e até o próximo post!