terça-feira, 12 de novembro de 2013

Licença Maternidade

Hoje o meu post está especial. Convidei a Paula, uma amiga muito querida, advogada e mãe de quatro filhos, para responder algumas duvidas que vejo muito frequentes entre as mulheres que trabalham fora.

Se houver alguma duvida que não tenha sido esclarecida, a Paula estará disponível para responder aos comentários.

 
 
Fonte: Google
P : pergunta
R : resposta

P: O que são leis trabalhistas?
R: Leis trabalhistas são regulamentações que determinam as relações entre empresas e empregados.
Elas podem ser Federais, que abrangem todas as categorias em todo o território nacional e podem ser Convencionais, pois são elaboradas pelos sindicatos de classe e abrangem somente aqueles funcionários de determinada categoria.


P: A mulher grávida tem algum direito trabalhista diferenciado?
R: Depende muito da categoria profissional da empregada.
Os mais comuns são a licença maternidade, auxílio maternidade e a estabilidade gestante que estão previsto na Constituição Federal. Mas existem algumas categorias que preveem o auxílio creche, descanso amamentação e um período maior de licença maternidade. 
 
P: Qual o dever da mulher grávida com a empresa? 
R: Os mesmos deveres dos outros empregados. A mulher grávida precisa continuar a trabalhar no mesmo horário antes estabelecido, com a mesma produção e se faltar sem justificativa terá o desconto regular de suas faltas.
 
P: Se o trabalho da mulher gestante for algo que prejudique a saúde dela ou a do bebê, o que ela deve fazer? 
R: Em geral, as categorias com algum grau de insalubridade ou periculosidade preveem que a empregada gestante seja realocada em outra função, ou ainda a adoção de medidas protetivas como os Equipamentos de Proteção Individual ou coletivo.
 
P: O que é licença maternidade? 
R: Licença maternidade é o período em que a gestante ficará afastada de suas funções para cuidar do bebê. Em modos gerais, ela dura quatro meses podendo em alguns casos ser prorrogada por mais dois meses.
 
P: Se a gravidez for considerada de risco pelo médico, a mulher grávida poderá pedir afastamento do trabalho sem que isso prejudique sua licença maternidade?
R: Sim. O médico avaliará as condições da gestante e verificando a possibilidade de prejudicar a gravidez ou a gestante, ele poderá solicitar o afastamento pelo período que considerar necessário. Nesse período, a empregada receberá o salário diretamente do INSS, cabendo à empresa continuar recolhendo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço normalmente.
 
P: A mulher grávida pode ter sua carga horária de trabalho reduzida sem que isso afete seu salário?  
R: Sim, desde que atestado pelo médico essa necessidade.
 
P: Se a mulher for demitida durante esse período quem ela deve procurar?  
R: Não se pode confundir a licença maternidade com a estabilidade da gestante.
A licença maternidade são os meses em que a gestante fica em casa recebendo salário normalmente. Já a estabilidade da gestante começa na confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, independentemente de quando começou a licença maternidade.
Se ela for demitida, sem justa causa, no período de estabilidade, ela terá direito a receber todos os salários e benefícios do período de estabilidade e, se a empresa não efetuar o pagamento, deverá procurar um advogado para promover a reclamação trabalhista solicitando a reintegração ou indenização do período de estabilidade.
 
P: Se a mulher não puder pagar um advogado, o que ela deve fazer? 
R: A maioria dos advogados trabalhistas trabalham com o que chamamos de “ad êxito”, ou seja, só recebemos honorários depois que a ação é julgada procedente e sempre em percentual correspondente aos ganhos, ou seja, o pagamento é feito somente ao final e se houver ganho de algum valor.
Existe ainda a condenação da empresa a pagar os honorários do advogado da empregada, ou ainda, ela pode procurar o sindicato de sua categoria que fornecerá advogado gratuitamente.
 
P: O pai também tem direito a licença especial?
R: A licença concedida ao pai quando do nascimento do filho é em geral de três dias para as providências de internação, acompanhamento e registro do nascimento.
Existem casos em que essa licença pode ser estendida, por convenção coletiva ou ainda porque a criança necessita de cuidados especiais e nesse caso, somente com atestado médico.
 
P: Existe alguma lei que proteja o pai de ser demitido durante a gravidez e a licença maternidade da esposa?
R: Não. Somente se houver determinação de convenção coletiva.
 
P: O que seria essa determinação de convenção/norma coletiva?
R: A norma coletiva é um acordo que o sindicato dos empregados faz com o sindicato das empresas de uma determinada categoria. Esse acordo tem as regras, dos direitos e deveres, de cada categoria além das regras já determinadas por lei.  
 
P: Como fica a licença maternidade para os pais se o filho for adotivo?
R: O mesmo período que é empregado para com um filho biológico.
 
P: Em relação a mulheres que amamentam, existe alguma lei que as protejam?
R: Algumas convenções coletivas preveem uma licença de até seis meses ou ainda um local dentro da empresa para que as crianças passem o dia com a mãe e possam ser amamentadas até os seis meses.
 
P: Mulher que amamenta pode ter sua carga horária de trabalho também reduzida?
R: Somente se houver determinação em norma coletiva.
 
P: A mulher que amamenta e que necessita ordenhar o peito durante o dia de trabalho, pode exigir da empresa um espaço adequado para isso?
R: Somente se houver determinação em convenção coletiva.
 
P: Mulher com filhos podem exigir ajuda no pagamento da creche ou escola? Se isso for possível, até que idade da criança ela poderá pedir essa ajuda?
R: Somente se houver determinação em convenção coletiva e a idade deve ser determinada por cada convenção coletiva.
 
P: Se a mulher tem mais de um emprego, por consequência mais de um salário, como fica o pagamento da licença maternidade?  
R: O pagamento da licença maternidade é feito pelo INSS e tem como base a contribuição mensal da empregada. Se ela contribuí com mais de um salário, receberá proporcionalmente o valor correspondente.
 
P: Quais são os motivos para a demissão de uma empregada gestante? 
R: A estabilidade gestante não significa que a empregada gestante não possa ser demitida. Ela não pode ser mandada embora sem justa causa, mas existem deveres que não podem ser infringidos.
A empregada gestante pode ser demitida se tiver excessivas faltas ao trabalho sem justificativa por atestado médico, se deixar de comparecer ao trabalho por mais de quinze dias sem justificativa, verificação de furto ou roubo no interior da empresa comprovado por inquérito administrativo, deixar de observar as regras e procedimentos da empresa, condenação criminal que exija cumprimento de pena em regime fechado, violação de segredo da empresa, indisciplina ou insubordinação, ofender verbal ou fisicamente outro funcionário ou superior.
Nesses casos ela pode ser demitida e não terá direito a nenhum benefício.
 
P: A mãe com filho doente tem direito a faltar para acompanhamento médico ou internação? 
R: Sim. Devendo avisar a empresa no primeiro dia útil em que faltar ao emprego e apresentar o atestado médico no primeiro dia em que cessar a licença.
 
Ana Paula Senne Silva
OAB/SP – 140.307
Tel. : (11) 3427.9027
(11) 96390.4400

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como a Punição Física pode Prejudicar o Cerebro Infantil

O texto abaixo foi publicado originalmente em inglês no site Psychology Today.

A palmada destrói o desenvolvimento cognitivo nas crianças  diminuindo o QI é o que mostra um estudo Canadense.

Esta análise, conduzida pelo Hospital Infantil de Ontário Oriental, em Ottawa, mostra novas evidências de que a punição corporal provoca comprometimento cognitivo e dificuldades no desenvolvimento a longo prazo.

Debates sobre castigos físicos normalmente giram em torno da ética de usar a violência para impor a disciplina. Este inquérito sintetiza 20 anos de pesquisas publicadas sobre o tema e pretende "mudar o debate ético sobre a punição corporal na esfera médica", diz Joan Durant, professor da Universidade de Manitoba e um dos autores do estudo.

De acordo com o relatório, a palmada pode reduzir a massa cinzenta do cérebro e o tecido conjuntivo entre as células cerebrais. A matéria cinzenta é uma parte integrante do sistema nervoso central e influência nos testes de inteligência e na capacidade de aprendizagem. Isso inclui as áreas do cérebro envolvidas na percepção sensorial, fala, controle muscular, emoções e memória. A pesquisa adicional suporta a hipótese de que crianças e adolescentes submetidos a abuso infantil e negligência têm menos massa cinzenta do que as crianças que não tenham sido mau-tratadas

Os médicos profissionais que investigam os efeitos da palmada a longo prazo têm, consistentemente encontrado, uma ligação entre o castigo corporal e o aumento da agressividade em crianças. Tal como relaciona essa disciplina "educativa" aos níveis emocionais descontroláveis e a dificuldade no desempenho acadêmico. Eles preveem a vulnerabilidade à depressão, geralmente em meninas e a tendência anti-social  frequentemente manifestada em meninos. 

Meninos apanham mais que meninas.

O castigo físico são mais frequentes na primeira infância, em bebês ou crianças pequenas. Os pais de baixa renda e com menos educação formal tendem a bater mais vezes. Os conservadores religiosos tendem a favorecer a punição corporal, embora não seja sempre o caso. O rei James citado em um versículo da Bíblia: Provérbios 13:24, expressa seu sentimento a respeito "poupará a vara e estragará a criança", em linguagem antiquada: Aquele que poupa a vara "odeia" a seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga.

Quando se usa a punição física como forma de educar, obtém-se resultados rápidos, mas não se reduz o comportamento indesejado. Além dos efeitos fisiológicos prejudiciais, também causam danos emocionais duradouros que inibem o processo de aprendizagem. O castigo físico enfraquece a confiança entre pais e filhos e gera hostilidade contra figuras de autoridade. Apanhar pode posteriormente impedir as relações sociais na sala de aula, onde há um diferencial de poder entre o professor e a criança

É de se admirar que quando batemos enviamos um sinal a criança que a aprendizagem ocorre através da violência? Esta forma de disciplina pretende ser educativa, mas é na verdade a forma que os pais encontraram para desabafar sua própria raiva. Bater envolve a falta de informação do mal que se causa com o intuito de educar. As figuras de autoridade cultural, como pais e professores, podem ser interpretados como fornecedores de sadismo ao invés de conhecimento. Os castigos corporais destroem a compaixão pelos outros,  a compaixão para si mesmo, e limita a capacidade mútua de ganhar discernimento/conhecimento.

Em 1979, a Suécia se tornou o primeiro país a proibir o castigo físico em crianças. Desde então, mais de 30 países já proibiram a punição corporal em casa e nas escolas. No entanto, continua a ser legal para um pai espancar seu filho nos Estados Unidos. Parte da dificuldade em mudar a atitude cultural é  que o castigo físico é um meio eficaz de disciplina e que muitos consideram proibir palmadas como limitar os direitos dos pais. Aqui, pressupõe-se que a criança seja uma propriedade dos adultos e que deva servir ao ego de seus pais.

Nos Estados Unidos, a punição corporal diminuiu desde os movimentos pelos direitos civis da década de 1960. A maioria dos pais que usavam castigos físicos, hoje expressam pesar por isso e desacreditam que houve melhora no comportamento da criança. Meios mais eficazes de disciplinar são: dar "Time outs", "escolhas e consequências" não violentas para o mau comportamento. Estes incluem consequências lógicas (se você não pegar seus brinquedos, eles não estarão disponíveis amanhã) e consequências naturais (se você não colocar o seu casaco, você ficará com frio).

Os pais que administram castigos corporais estão muitas vezes no seu limite. Em outras palavras, a causa desta forma violenta de "educação" esta muitas vezes escondida na história reprimida dos pais. Quando os adultos não entendem as ligações entre as suas experiências anteriores de lesão (punição corporal) eles tendem a repetir ativamente no presente, perpetuam um ciclo destrutivo e infligem o seu próprio sofrimento em seus filhos. A próxima geração continua a levar o dano que foi guardada na mente e no corpo do seu antepassado. Por outro lado, os pais também podem trabalhar para se tornarem conscientes de sua própria dor da infância e reconhecer como eles transmitem e perpetuam a violência batendo em seus filhos.

O ensino eficaz da disciplina sem punição física, pode ter o potencial de reduzir os níveis gerais de violência em nossa sociedade. Em outras palavras, o castigo corporal, do qual bater é uma forma relativamente menor, pode ter implicações sociais mais amplas. Alguns estudos sugerem uma ligação entre a punição física nas crianças e o comportamento envolvido em alguns atos criminosos.

A Academia Americana de Pediatria e a Associação Americana de Psicologia se opõem a punição física. Não se deve tocar em criança ou adolescente por qualquer motivo que seja. Eles aconselham a respeito de como os pais podem lidar melhor com um incidente de punição física no momento de arrependimento depois de ter ocorrido:

 
Os pais devem explicar com calma porque aconteceu a punição física, o comportamento específico que provocou e a raiva que sentiram. Eles também podem pedir desculpas a seu filho pela perda de controle. Isso geralmente ajuda a criança ou o jovem a compreender e aceitar a punição física e serve como modelo para a criança de como corrigir um erro.

O que queremos ensinar a nossos filhos? Apanhar ensina a criança que bater é uma resposta aceitável para a raiva. Mostrar a próxima geração como manejar sua raiva sem violência é crucial



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Dia dos Pais

Nesse domingo foi dia dos pais no Brasil. Como sou brasileira e adoro uma comemoração, de jeito nenhum deixaria de celebrar essa data tão importante. Por isso, comemoramos em grande estilo. Cheio de surpresas emocionantes e um café da manhã bem "gordo" com direito a panquecas, omeletes e waffles, no maior e melhor estilo americano!

Os "gifts" do papai, como sempre, foram feitos por mim e pelo bebê. Datas especiais merecem presentes especiais. Nada melhor do que coisinhas feitas a mão por quem amamos, né?


Primeiro elaborei o cartão. O material usado foi reciclado a partir de caixas de papelão, cortadas do tamanho de fotografia (10x15) e pintadas com tinta guache. As argolas, que dão a impressão de livro ao cartão, foram compradas em loja de artesanato. Para colar as fotos usei cola sem acido (usadas em scrapbook) pois não danificam a fotografia com o tempo e coloquei um "sticker" de "I Love Dad" para identificar a capa. Simples e fácil!

Papelão recortado



Raphael pintando com guache


Já secos e prontos para a arte final


Fotos coladas

Trabalho pronto

As fotos foram escolhidas pelo bebê



O vídeo foi feito pela mamãe aqui! Usei um programa no Windows 8 chamado "Movie Maker" e escolhi musicas do gosto do papai. Bom, acho que acertei em cheio! O papai chorou por 1 hora  (rs). Confesso que a ideia era causar só uma "emoçãozinha" mas tudo bem!




Procurei na internet algumas ideias. A principio eu queria algo como uma camiseta customizada com fotos do bebê, mas achei essa caneca super fofa! É possível usar até 15 fotos, eu optei por usar o máximo de espaço. A disposição das fotos é feita pelo cliente e tudo isso é feito online. Recebi o pacote pelo correio, 3 dias antes do dia dos pais. Preciso dizer se ele amou?


Essa é a caneca cheia de foto e que diz "O melhor pai do mundo"



Nosso café da manhã. O papai levou a xicara ao restaurante (rs)


Beijos e até o próximo post!

domingo, 28 de julho de 2013

Amamentação Pós Cirurgia Plástica

Dentro do universo materno existem alguns assuntos que geram polêmicas por serem delicados para a maioria das mulheres. A amamentação é um desses. Para mim, discuti-lo sempre foi muito difícil e, nas poucas vezes que falei a respeito, fui um pouco intransigente e parcial. Tenho uma opinião radical a respeito e, infelizmente, por isso acabo ferindo o brio de algumas mulheres. Principalmente as que não conseguiram, por algum motivo, amamentar seus filhos.

Entristece-me saber que, por escolha ou por falta de empoderamento, a mulher deixa de regalar ao seu filho o maior e melhor presente que ela poderia dar. Leite materno é alimento, é vida, é força, é inteligência, é vinculo. No entanto, esse texto não tem a finalidade de julgar ou magoar ninguém. Quero contar nele a minha experiência particular mostrando que qualquer mulher é capaz de amamentar quando se deseja muito e que, apesar de todos os percalços, eu consegui.

Minha história começa aos 15 anos quando seios grandes ainda não eram moda e os meus, infelizmente, tomaram proporções fora do padrão na época. Naquele tempo era quase impossível encontrar um sutiã que desse sustentação e que fosse decentemente usável (a maioria deles pareciam lindas lingeries da vovó). Lidar com isso, para mim, não foi fácil. Eu fui uma dessas adolescentes bem comuns que sobra timidez e falta autoestima. Sabe como é? O desfecho de tudo isso: uma plástica no seio aos 19 anos de idade.

Lembro como se fosse hoje! O médico cirurgião preocupado em me aconselhar e alertar sobre esse procedimento tão radical, sobre a possível impossibilidade de produzir leite e se, por um a caso houvesse produção, a exteriorização do leite poderia ficar comprometida pelos cortes que seriam feitos justamente nos ductos mamários. Eu, com toda minha arrogância juvenil, nem sequer pensei na possibilidade de esperar casar e ter filhos. Na verdade, a primeira coisa que eu pensei foi: existe leite artificial para quê?

Treze anos se passaram e, desde então, muita coisa mudou no meu modo de ver a vida. O amadurecimento me fez perceber que sou muito mais do que um corpo. Que padrões de beleza não se encaixam mais dentro do meu universo. Hoje, sou feliz porque sei que todos somos lindos em nossas diferenças e essa consciência somente o tempo me deu. Porém, a "merda" já tinha sido feita. Eu estava grávida, cheia de expectativas pessoais e um seio "mutilado".

A ansiedade tomou conta de mim durante boa parte da gravidez. Procurei por sites na internet, comprei livros, busquei informações a respeito de mulheres que conseguiram amamentar mesmo depois de uma cirurgia plástica e, infelizmente, o pouco que obtive sobre o assunto vieram de mulheres desestimuladas e cheias de dúvidas que, com o tempo, desistiram de suas tentativas oferecendo assim o leite artificial ou fazendo a complementação entre a amamentação.

Raphael nasceu de 32 semanas. Veio ao mundo de parto normal. Por complicações durante a gravidez não pude cogitar um parto domiciliar, por esse motivo, ele nasceu no hospital. Mesmo sendo prematuro, ele não precisou ser afastado de mim pois seu peso e estado físico eram compatíveis a um bebê a termo. Ele foi colocado no meu seio na mesma hora em que nasceu e nessa hora começaram as minhas dúvidas.

Ele mamava e dormia em um curto espaço de tempo. Eu não tinha certeza da minha produção de leite e muito menos se ele dormia por estar cansado ou alimentado. Raphael não chorava e suas eliminações fisiológicas, para mim, pareciam normais. Porém, minha felicidade durou menos de 48 horas, quando ele começou a apresentar a pele amarelada e ser diagnosticado com icterícia neonatal. A pediatra, lógico, culpou a amamentação ineficaz (pois quanto maior a quantidade que o bebê mama, maiores são suas eliminações fisiológicas e mais fácil a bilirrubina é expelida do corpinho).

Por consequência disso, eu tive alta hospitalar mas o Raphael não. Felizmente, nos permitiram ficar com ele por mais dois dias, não precisei deixá-lo no hospital e voltar para casa sozinha. E foram quatro estressantes dias de internação quando, finalmente, a pediatra nos deu alta hospitalar. Porém, com duas condições: a primeira que eu fizesse visitas diárias ao consultório da pediatra até que houvesse a melhora do quadro clínico e a segunda que eu levasse para casa um saco de mamadeiras com leite artificial (cortesia do hospital) e suplementasse as mamadas.

Fomos para casa e, tenho que confessar, os dias que se seguiram foram bem difíceis. Éramos eu, meu marido, um bebê recém-nascido e nossos instintos, completamente sozinhos. Também não posso negar que tivemos a melhor experiência de todas as nossas vidas. Essa ajuda mútua só fez crescer ainda mais a admiração, o amor e o carinho que sinto pelo meu marido. Eu não me canso de dizer o quanto ele é fundamental na minha vida.

E os meus dias seguiram assim, eu passava 22 horas do dia com o Raphael no peito e as outras 2 horas "ordenhando" com a máquina elétrica. Já não distinguia mais quando o bebê mamava ou quando usava o peito de chupeta. Na verdade essa situação não me incomodava, eu sabia que esse tempo de dedicação, de livre demanda, seria importante para a tão sonhada produção de leite. Quanto mais o bebê mama mais a mãe produz. É isso que diz a teoria e foi nessa verdade que eu me agarrei.

Bom, por um "milagre" ou por muita força de vontade (gosto da segunda opção) eu produzi leite e essa produção só aumentou. Tomei muito líquido, fiz muito repouso, me mantive a mais calma que pude, comi muita canjica (rs), fiz livre demanda e cama compartilhada e, acima de tudo, acreditei muito em mim e no meu filho. Parei de ordenhar com a máquina pois tirar 5 ml dos dois seios, em 1 hora de ordenha, estava tirando toda a fé que eu tinha em mim mesma. A partir daquele momento meu filho foi o meu referencial. Isso bastou para mim! Ele estava bem, feliz e engordando a olho nu.

Em 6 meses de amamentação EXCLUSIVA, eu tive vários outros problemas: pega incorreta, que foram sanados através de aulas com enfermeiras especializadas (verdadeiros anjos) no próprio hospital em que dei a luz e pomadas de lanolina, prescritas por elas. Rachaduras que persistiram durante 3 meses seguidos, consequência da pega incorreta. Duas mastites com febre de 39 graus cada uma onde tive que fazer uso de antibióticos em ambas. E, por fim, várias neuroses, essas me perseguiram por bastante tempo.

Hoje, depois de 2 anos e 7 meses de amamentação, escrevendo e lembrando dos momentos bons e dos dificeis que passamos, a única coisa que tenho a dizer é que somos verdadeiros vitoriosos.

E, sobre as mamadeiras que ganhei da pediatra fofinha: essas não me serviram de nada, as devolvi ao hospital na minha segunda aula de amamentação! :)





Raphael aos 6 meses de amamentação exclusiva :)
 
 


Beijos e até o próximo post

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mães unidas por um Brasil melhor


A decisão de vir para os EUA foi mútua. Nós queríamos estudar e nos aperfeiçoar profissionalmente para depois regressar ao Brasil e colocar em prática nossas experiências adquiridas aqui.

Tomar a decisão de ficar não foi difícil, infelizmente. Eu me lembro perfeitamente do choque cultural que tomamos logo no primeiro dia. A educação no trânsito, a limpeza das ruas, as casas sem grades nas janelas e sem portões, o policiamento contínuo e o transporte público foram os primeiros diferenciais. Sabíamos que o Brasil não era perfeito porém as diferenças eram gritantes e, na verdade, só percebemos isso quando nos deparamos com a nossa nova realidade. A pergunta que paira nessa hora é: De quem é a culpa de tanta falta de infraestrutura e impunidade no Brasil? Por que  o Brasil chegou a tais condições?

Vivo longe do Brasil há exatos 6 anos. Porém, durante todo esse tempo, me mantive informada sobre sua real situação através de jornais e de familiares. Venho acompanhando toda a malandragem política, o contínuo caos na saúde, educação e no transporte, a luta do povo para sobreviver aos aumentos de taxas abusivas e as temidas leis elaboradas e aprovadas por políticos ignorantes que não deveriam estar dirigindo tais cargos.

Infelizmente, o povo ainda não aprendeu que a maior voz é o voto. É no dia da votação que podemos e devemos mostrar nossa indignação. É muito importante saber sobre o passado do candidato, sobre a sua vida politica, suas reais intenções e, principalmente, acompanha-lo durante todo o mandato com o intuito de fiscalizar e cobrar o seu trabalho. Esses são os primeiros passos para uma mudança definitiva do Brasil. O povo brasileiro é famoso por não ter consciência política. Um povo que esquece facilmente as "maracutaias" de seus políticos e que, quase sempre, vende seus votos, seja por uma cesta básica no dia da eleição, seja por uma troca de favores ou uma bolsa família no futuro. O que importa é que todos saem "ganhando" sem pensar no futuro da cidade, estado ou país.

Mas, "o gigante acordou" é o que diz o brasileiro e eu acredito nisso! Acredito nessa mudança, acredito nessa voz que sai de um povo que se conteve diante de tanta corrupção, tanta roubalheira, tanta violência e que agora cansou. Nosso país tem sido "estuprado" a muito séculos. Entram e saem homens do poder, mudam-se as caras mas os caráteres continuam os mesmos. E para o povo sobram as migalhas desde as filas intermináveis em hospitais e postos de saúde, passando pela ausência médica e equipes multidisciplinares em locais de difícil acesso até as famosas "lutas" por vagas em creches e escolas do Estado. Faltam leis que protejam todos os cidadãos e que sejam descentemente elaboradas e aprovadas por um estado laico. Faltam aos nossos governantes a capacidade de não mais subestimarem o nosso povo brasileiro.

"Não seremos mais feitos de palhaço" é a real mensagem da manifestação!
 
Juntos nós podemos muito. Ninguém pode mais do que um povo unido por um só motivo, ninguém pode mais do que um povo consciente de seus direitos e deveres e, definitivamente, ninguém pode mais do que um povo que descobriu que pode gritar e ser ouvido!

Parabéns Brasil! Parabéns meu povo por ter saído as ruas para mostrar tamanha insatisfação.
Aplaudo de pé essa conquista!
 
 

 
 
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.