domingo, 28 de julho de 2013

Amamentação Pós Cirurgia Plástica

Dentro do universo materno existem alguns assuntos que geram polêmicas por serem delicados para a maioria das mulheres. A amamentação é um desses. Para mim, discuti-lo sempre foi muito difícil e, nas poucas vezes que falei a respeito, fui um pouco intransigente e parcial. Tenho uma opinião radical a respeito e, infelizmente, por isso acabo ferindo o brio de algumas mulheres. Principalmente as que não conseguiram, por algum motivo, amamentar seus filhos.

Entristece-me saber que, por escolha ou por falta de empoderamento, a mulher deixa de regalar ao seu filho o maior e melhor presente que ela poderia dar. Leite materno é alimento, é vida, é força, é inteligência, é vinculo. No entanto, esse texto não tem a finalidade de julgar ou magoar ninguém. Quero contar nele a minha experiência particular mostrando que qualquer mulher é capaz de amamentar quando se deseja muito e que, apesar de todos os percalços, eu consegui.

Minha história começa aos 15 anos quando seios grandes ainda não eram moda e os meus, infelizmente, tomaram proporções fora do padrão na época. Naquele tempo era quase impossível encontrar um sutiã que desse sustentação e que fosse decentemente usável (a maioria deles pareciam lindas lingeries da vovó). Lidar com isso, para mim, não foi fácil. Eu fui uma dessas adolescentes bem comuns que sobra timidez e falta autoestima. Sabe como é? O desfecho de tudo isso: uma plástica no seio aos 19 anos de idade.

Lembro como se fosse hoje! O médico cirurgião preocupado em me aconselhar e alertar sobre esse procedimento tão radical, sobre a possível impossibilidade de produzir leite e se, por um a caso houvesse produção, a exteriorização do leite poderia ficar comprometida pelos cortes que seriam feitos justamente nos ductos mamários. Eu, com toda minha arrogância juvenil, nem sequer pensei na possibilidade de esperar casar e ter filhos. Na verdade, a primeira coisa que eu pensei foi: existe leite artificial para quê?

Treze anos se passaram e, desde então, muita coisa mudou no meu modo de ver a vida. O amadurecimento me fez perceber que sou muito mais do que um corpo. Que padrões de beleza não se encaixam mais dentro do meu universo. Hoje, sou feliz porque sei que todos somos lindos em nossas diferenças e essa consciência somente o tempo me deu. Porém, a "merda" já tinha sido feita. Eu estava grávida, cheia de expectativas pessoais e um seio "mutilado".

A ansiedade tomou conta de mim durante boa parte da gravidez. Procurei por sites na internet, comprei livros, busquei informações a respeito de mulheres que conseguiram amamentar mesmo depois de uma cirurgia plástica e, infelizmente, o pouco que obtive sobre o assunto vieram de mulheres desestimuladas e cheias de dúvidas que, com o tempo, desistiram de suas tentativas oferecendo assim o leite artificial ou fazendo a complementação entre a amamentação.

Raphael nasceu de 32 semanas. Veio ao mundo de parto normal. Por complicações durante a gravidez não pude cogitar um parto domiciliar, por esse motivo, ele nasceu no hospital. Mesmo sendo prematuro, ele não precisou ser afastado de mim pois seu peso e estado físico eram compatíveis a um bebê a termo. Ele foi colocado no meu seio na mesma hora em que nasceu e nessa hora começaram as minhas dúvidas.

Ele mamava e dormia em um curto espaço de tempo. Eu não tinha certeza da minha produção de leite e muito menos se ele dormia por estar cansado ou alimentado. Raphael não chorava e suas eliminações fisiológicas, para mim, pareciam normais. Porém, minha felicidade durou menos de 48 horas, quando ele começou a apresentar a pele amarelada e ser diagnosticado com icterícia neonatal. A pediatra, lógico, culpou a amamentação ineficaz (pois quanto maior a quantidade que o bebê mama, maiores são suas eliminações fisiológicas e mais fácil a bilirrubina é expelida do corpinho).

Por consequência disso, eu tive alta hospitalar mas o Raphael não. Felizmente, nos permitiram ficar com ele por mais dois dias, não precisei deixá-lo no hospital e voltar para casa sozinha. E foram quatro estressantes dias de internação quando, finalmente, a pediatra nos deu alta hospitalar. Porém, com duas condições: a primeira que eu fizesse visitas diárias ao consultório da pediatra até que houvesse a melhora do quadro clínico e a segunda que eu levasse para casa um saco de mamadeiras com leite artificial (cortesia do hospital) e suplementasse as mamadas.

Fomos para casa e, tenho que confessar, os dias que se seguiram foram bem difíceis. Éramos eu, meu marido, um bebê recém-nascido e nossos instintos, completamente sozinhos. Também não posso negar que tivemos a melhor experiência de todas as nossas vidas. Essa ajuda mútua só fez crescer ainda mais a admiração, o amor e o carinho que sinto pelo meu marido. Eu não me canso de dizer o quanto ele é fundamental na minha vida.

E os meus dias seguiram assim, eu passava 22 horas do dia com o Raphael no peito e as outras 2 horas "ordenhando" com a máquina elétrica. Já não distinguia mais quando o bebê mamava ou quando usava o peito de chupeta. Na verdade essa situação não me incomodava, eu sabia que esse tempo de dedicação, de livre demanda, seria importante para a tão sonhada produção de leite. Quanto mais o bebê mama mais a mãe produz. É isso que diz a teoria e foi nessa verdade que eu me agarrei.

Bom, por um "milagre" ou por muita força de vontade (gosto da segunda opção) eu produzi leite e essa produção só aumentou. Tomei muito líquido, fiz muito repouso, me mantive a mais calma que pude, comi muita canjica (rs), fiz livre demanda e cama compartilhada e, acima de tudo, acreditei muito em mim e no meu filho. Parei de ordenhar com a máquina pois tirar 5 ml dos dois seios, em 1 hora de ordenha, estava tirando toda a fé que eu tinha em mim mesma. A partir daquele momento meu filho foi o meu referencial. Isso bastou para mim! Ele estava bem, feliz e engordando a olho nu.

Em 6 meses de amamentação EXCLUSIVA, eu tive vários outros problemas: pega incorreta, que foram sanados através de aulas com enfermeiras especializadas (verdadeiros anjos) no próprio hospital em que dei a luz e pomadas de lanolina, prescritas por elas. Rachaduras que persistiram durante 3 meses seguidos, consequência da pega incorreta. Duas mastites com febre de 39 graus cada uma onde tive que fazer uso de antibióticos em ambas. E, por fim, várias neuroses, essas me perseguiram por bastante tempo.

Hoje, depois de 2 anos e 7 meses de amamentação, escrevendo e lembrando dos momentos bons e dos dificeis que passamos, a única coisa que tenho a dizer é que somos verdadeiros vitoriosos.

E, sobre as mamadeiras que ganhei da pediatra fofinha: essas não me serviram de nada, as devolvi ao hospital na minha segunda aula de amamentação! :)





Raphael aos 6 meses de amamentação exclusiva :)
 
 


Beijos e até o próximo post

11 comentários:

  1. Eu acho que a persistência é a palavra!
    Parabéns!
    beijos
    Lele
    #amigacomenta
    www.eueleeascriancas.com.br

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  2. Tamy. Eu quase fiz a cirurgia e estava pensando exatamente nisso. Quando adolescentes não pensamos nas consequências. Legal seu relato, melhor ainda saber que tudo deu certo. Você teve coragem. Difícil ter esse diagnóstico e assumir. Parabéns!
    Beijos lindona
    Fabi
    #Mulher & Mãe
    #amigacomenta

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  3. Quando se tem uma boa orientação e persistência acredito que a amamentação acontece!Parabéns!
    #amigacomenta

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  4. Parabens!!
    Determinação é uma qualidade rara.
    Bjs
    Mari
    #amigacomenta
    http://maricriando.blogspot.com.br

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  5. OI Tamy,
    parabéns pela determinação e por seguir os seus instintos.
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe

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  6. Coisa boa que seu filho conseguiu mamar e que vocês foram capazes de superar todos os problemas e seguiram a amamentação exclusiva.

    Seu filho ter nascido de 32 semanas e não ser ter baixo peso ou dificuldades é um verdadeiro milagre. A maioria dos prematuros não tem essa sorte.

    A única coisa que acho é que não deverias ser tão radical quanto a amamentação, pois a maternidade é um eterno cuspir na própria testa e você pode ter outros filhos ainda...

    Bjos
    #amigacomenta
    www.mamaeneura.com

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  7. Eu sempre quis fazer a redução dos seios, por questão de saúde mesmo, mas eu sempre penso que um dia eu posso ter um segundo filho e esse poderia não conseguir mamar, sabe? Já fico com consciencia pesada antes da hora, então vou seguindo assim até onde der.

    Acho que todo mundo passa por dificuldades na amamentação em menor ou maior grau, a diferença é como encaramos. :)
    Muito lindo o seu relato!

    Beijos
    www.parabeatriz.com

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  8. paolapetris@hotmail.com11 de novembro de 2014 14:59

    Li seu relato e me emocionei....tb fiz cirurgia redutora há dez anos e estou com uma bebezinha de 50 dias em casa...nos primeiros 40 dias, apesar dela não ter recuperado facilmente o peso perdido após o nascimento, a amamentei no peito exclusivamente! Não tive mastite, nem rachadura, e parecia tudo perfeito! Mas na última consulta com o pediatra, fui orientada a complementar pelo menos 3 vezes por dia! Chorei demais, com medo dela largar o peito e ainda estou em busca de soluções! Estou ordenhando com a bomba, as vezes complemento usando uma seringa enquanto ela mama no seio para estimular a lactação, durmo com ela colada em mim e agarrada a seio, mas ainda assim não estou segura de que minha produção esteja aumentando...ela dorme super bem, faz todas as suas necessidades com frequência, mas ainda parece não ganhar peso! ALguma outra sugestão? Juro que estava quase desistindo, mas seu depoimento está me dando forças para continuar e tentar mantê-la no peito, pelo menos, até os 6 meses!!! Obrigada!

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    1. Paola, o importante é manter a calma. Sabemos que os médicos não são nossos melhores aliados nessa luta em prol da amamentação. Eles utilizam uma tabela de peso e medida generalizada e desatualizada que, na minha opinião, tem o intuito de nos amedrontar. Meu conselho é que você procure uma Enfermeira consultora em amamentação, em um hospital ou posto de saúde mais próximos. Assim você poderá conversar e receber conselhos de alguém que seja realmente capacitado para isso. Outra sugestão é a da Relactação. Você utiliza uma espécie de mangueirinha, onde uma ponta é conectada ao seio e a outra é conectada a mamadeira. O bebê suga o peito e dele saem o leite artificial e o leito materno. Com isso, o bebê adquire o peso desejado sem deixar de estimular o seio da mãe. Outro conselho, e o mais importante, se conecte a outras mulheres na mesma situação. No Facebook existem vários grupos sobre amamentação, GVA (grupo virtual de amamentação) é um dos meus favoritos. Lá você vai encontrar vários textos e muitas consultoras online que podem lhe amparar nos dias mais difíceis. Espero ter lhe ajudado. Se precisar de mais alguma coisa estou aqui para ajudar. Beijos e boa sorte :)

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    2. Paola, depois volte para me contar como andam as coisas com você e sua bebê, por favor! Estou na torcida por vocês <3

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  9. Ola tamy. Tenho a historia parecida c a sua. Voce ficava muito com o bebe no peito ate quantos meses? Meu bebe ta c um mes e 10 dias e passa horas do dia no peito. Ta engordando nao tanto mas como vc disse a sensacao e q ta tufi bem. Mas sempre fico c receio pelas sias mamadas muito demoradas... me da uma ajuda.

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